Apostas Tour de France 2017: Froome voltará a comandar?

Chris Froome venceu todas as edições em que não teve contra-tempos. Irá repetir a façanha em 2017?

Não tem sido a melhor das preparações para Chris Froome, avisa Jack Houghton, mas tendo em conta a ausência de alternativas credíveis parece que será o britânico a ditar as leis.

"Porte parece ter voltado para a sua casa no Mónaco após o Dauphine para passar algum tempo com a família, ao passo que Froome, por exemplo, fez as malas e arrancou para Sestriere para mais treino em altitude."

Quais as hipóteses de Chris Froome somar a quarta?

Tal como o próprio Froome admitiu, ele sabe pouco acerca da história do desporto em que se tem destacado. Numa entrevista recente, quando questionado sobre os três ciclistas a que se juntou na lista daqueles que já venceram por três vezes o Tour depois do triunfo no ano passado, ele admitiu saber pouco ou nada sobre cada um deles. Ele não está tão imerso umbilicalmente na história e lendas do ciclismo quanto a maioria dos seus colegas de modalidade; ele é uma personalidade bem diferente. Mas, também segundo as suas palavras, ele começou a pensar em relação ao seu legado e, com as sete vitórias de Armstrong retiradas do livro dos recordes, ele persegue as cinco vitórias que o colocariam em pé de igualdade junto de nomes como Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induarin.

Infelizmente, a temporada de 2017 de Froome não sugere que estejamos perante um homem em forma rumo a mais um passo para a glória neste desporto com novo triunfo no Tour que se inicia esta semana, Sábado 1 de Julho. Sem vencer desde Setembro passado, este terá sido o seu mais fraco início de temporada e, se ele quiser alcançar a glória no Tour, essa será a sua primeira vitória na prova não precedida pelo triunfo no Criterium de Dauphine. Mas há outras razões para duvidar das suas hipóteses. Ele aparentou fragilidade no Tour de Romandie, afirmando "pequenos problemas de costas". Apesar de não se ter lesionado, ele esteve envolvido num típico acidente de "bate e foge" enquanto treinava perto do Mónaco. Richie Porte ganhou-lhe 47 segundos no pequeno contra-relógio do Dauphine.

Mas mais importante que isso, a imagem até ao momento que tem deixado em 2017 é de um Froome a sofrer nas montanhas frente aos maiores competidores - ciclistas como Simon Yates e Richie Porte - conseguiram ganhar-lhe tempo.

Para juntar à controvérsia tivemos um inquérito da autoridade britânica de Anti-doping junto da Team Sky e British Cycling - em que Froome não está implicado da pior forma, mas que é mais um dado psicologicamente marcante, já que ele continua a ser insistentemente relacionado com isso - e Froome não se parece com o tipo de ciclista que simplesmente espera a sua coroação: esta será uma árdua tarefa para o favorito que negoceia a 2.707/4.


Pode Richie Porte bater Froome?

Richie Porte tem tido a sua temporada de maior sucesso no pelotão de elite e pareceu o mais impressionante, mas a sua força psicológica parece pouco talhada para liderança de equipas em Grandes Voltas: ele parece ter voltado para a sua casa no Mónaco após o Dauphine para passar algum tempo com a família, ao passo que Froome, por exemplo, fez as malas e arrancou para Sestriere para mais treino em altitude.

Para além disso, Porte ainda não conseguiu uma exibição consistente em provas de três semanas que é o necessário para poder aspirar a vencer uma Grande Volta. Como um colega meu que acompanha a modalidade perguntou no outro dia: "Eu pergunto-me em que etapa é que Porte irá perder cinco minutos no tour deste ano?" A resposta pode ser a Etapa 9 de Nantua a Chambery, que terá sete subidas categorizadas, incluindo três de categoria especial, todas elas muito inclinadas e íngremes; e se escapar a esse teste, as Etapas 17 e 18, que irão forçar os ciclistas a superar os 2.000 metros de altitude por quatro vezes em dois dias, pode colocar Porte a pensar que não deveria ter tirado as suas férias pré-Tour mas sim ir para as montanhas. Os 3.309/4 disponíveis por Porte parecem ter pouco valor.


Então e Nairo Quintana?

Depois de aparecer nos Grand Tours em 2013, parecia que seria uma questão de tempo até Quintana vencer o Tour de France, mas após ter ficado perto em duas ocasiões, ele parece começar a ser o tipo de ciclista que depende do fracasso de Froome, mais do que propriamente ter uma estratégia para desmontar o três vezes vencedor da competição.

A sua decisão de correr o Giro - como consequência dos falhanços em buscar a camisola amarela nos últimos anos - mostrou um ciclista que não tem muita crença ou a abordagem certa para tentar desmantelar a Team Sky em França, e a forma como foi superado por Tom Dumoulin em todos os departamentos em Itália irá contribuir pouco para o aumento de confiança do colombiano.

A equipa de Quintana, Movistar, afirmou que ele é um ciclista que se porta melhor no segundo Grand Tour da época e aponta para o seu triunfo na Vuelta do ano passado como prova; mas essa vitória chegou apenas devido ao fracasso táctico da Team Sky, mais do que propriamente da superioridade física de Quintana. Se Quintana continuar na discussão na semana final, ele pode criar problemas a Froome, mas as suas odds de 8.5015/2 parecem correctas.


Existirá mais alguém?

Tal como Quintana, a maioria dos pretendentes à Geral que podem desafiar Froome na corrida até Paris, preferiram privilegiar o Giro, talvez vendo isso como a sua melhor hipótese. E quantos do grupo de Vincenzo Nibali, Thibaut Pinot, Adam Yates, Ilnur Zakarin, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin e Rui Costa irão começar o Tour em Dusselfodrf está ainda por apurar. Mas o que é provável é que qualquer deles que esteja presente irá focar-se nas vitórias de etapa, mais do que no necessários esforço constante de uma prova de três semanas para vencer a Camisola Amarela.

Adicionalmente, o plano ao longo do ano para Jakob Fuglsang foi ser o ciclista da Astana no Tour, ao passo que Fabio Aru atacaria o Giro. Esse plano caiu por terra quando Aru falhou a presença no Giro devido a lesão no joelho, e a equipa anunciou recentemente que iria juntar os dois neste Tour. Fuglsang parece ter recuperado a melhor forma na Etapa 6 do Dauphine e, dos dois, é mais interessante a 34.0033/1 face aos 27.0026/1 de Aru; no entanto, o sucesso deste tipo de duplas ao mesmo nível em Grand Tours continua a ser questionável.

Mais desconhecido, Primoz Roglic, que compete pela LottoNL-Jumbo, é um ex-saltador de ski que teve um surpreendente impacto no ciclismo profissional, especialmente em contra-relógios. Embora a sua capacidade em montanha durante três semanas num Grand Tour esteja ainda por comprovar, ele é um sério pretendente a odds que devem chegar aos três dígitos.

Com isto restam-nos três ciclistas que merecem análise: Alberto Contador, Simon Yates e Romain Bardet. Contador irá sem dúvida fazer a sua parte na narrativa da corrida deste ano. Ele deverá ser omnipresente no grupo da frente nas grandes montanhas, e tentará orquestrar uma táctica para desconcertar e até tirar Froome do selim. No entanto, as suas forças começam a falhar, e mesmo a odds de 24.0023/1 não consigo sentir-me tentado.

Simon Yates alterou o seu calendário em Abril quando a sua equipa, Orica-Scott, começou a duvidar de Esteban Chaves e procurou um ciclista que poderia ser proeminente na Geral do Tour em Julho. A posição pública da equipa é que a dupla irá correr como líderes conjuntos, com Yates a apontar à Camisola Branca, mas tendo em conta a sua forma recente, deverá ser Yates a carregar as principais esperanças da equipa.

Romain Bardet foi segundo em 2016, e a sua subida a solo para a vitória em Saint Gervais foi a peça mais impressionante em cena na edição do último ano. Mas ele é fraco no contra-relógio. Ele perdeu 44 segundos para Froome no prólogo de 2015, o que não é muito diferente da etapa inaugural em Dusseldorf este ano. Se juntarmos a isso, o segundo contra-relógio no penúltimo dia de prova, e Bardet poderá estar a começar esta corrida com um défice imaginário de pelo menos 90 segundos. Embora seja talentoso nas montanhas, não é expectável que possa superar essa diferença.


Em que ponto é que isto nos deixa?

Basicamente, tudo irá depender de Froome, e tendo em conta que ele irá retirar tempo a todos os seus concorrentes (excepto Porte, talvez) no Prólogo inicial, e que ele deverá comandar a prova até à Etapa 5 na La Planche des Belle Filles, o Tour pode, efectivamente, estar quase sentenciado na primeira semana, com Froome e o oleado comboio da Team Sky a correrem defensivamente no restante da prova. Simon Yates tem valor para lutar por um lugar no pódio.


Aposta Recomendada:

Chris Froome para vencer o Tour @ 2.707/4 (para Cash Out)