Antevisão Mundial 2018: Nova Inglaterra cairá a trocar a bola

Gareth Southgate está a construir uma 'nova' Inglaterra

Jack Lang está a analisar as hipóteses dos favoritos ao Campeonato do Mundo. De algum modo, ele foi desafiado a escrever sobre os 'Three Lions' como parte desse leque...

"Os resultados têm sido... bem, OK, do tipo daqui a seis meses já não me lembro disso. Uma vitória contra a Holanda, empates contra a Espanha, a Alemanha, o Brasil e a Itália: são sinais de maturidade, de evolução."

Aqui temos a Inglaterra num torneio importante, vulgo, a Roleta da Tristeza. Temos tantas razões para não nos empenharmos emocionalmente nisto tudo - Kiev, Belo Horizonte, Nice, só nesta década - e, lá no fundo, sabemos exactamente como é que isto vai acabar. Vai acabar mal, connosco a caminho de casa, a cara molhada pelas lágrimas e a voz rouca de gritarmos palavrões contra a capacidade de decisão de Harry Maguire.

No entanto, a Inglaterra está a 19.0018/1 e é a sétima favorita para vencer este campeonato, por isso não é tudo mau, pois não? Ou é?

In Gazza we trust. Não aquele que estão a pensar


A esperança é a última a morrer, e pela primeira vez em muito tempo, a Inglaterra tem um treinador com uma visão clara e a determinação para a levar a cabo. A estratégia paciente e proteccionista de Gareth Southgate não agrada a toda a gente, mas podemos ter a certeza que não a construiu em cima do joelho.

A ordem do dia é buscar conforto com a bola: esta selecção inglesa morrerá coma bola nos pés, inspirada por todos os clubes do momento, que têm jogadores muito melhores para isso. Mesmo os defesas têm de ser atacantes em part-time, daí a exclusão de Chris Smalling e outros. A reputação também pouco importa ao seleccionador, os meninos queridos dos tablóides, Jack Wilshere e Joe Hart não foram seleccionados.

It's coming home?


Os resultados têm sido... bem, OK, do tipo daqui a seis meses já não me lembro disso. Uma vitória contra a Holanda, empates contra a Espanha, a Alemanha, o Brasil e a Itália: são sinais de maturidade, de evolução.

A linha de defesa, protegida pelo tanque de guerra Eric Dier e por Jordan Henderson, tem sido extremamente sólida: a Inglaterra só sofreu um golo nos últimos seis jogos e foi um penalti. A lesão de Joe Gomez atrapalhou um pouco os planos, mas a transformação de Kyle Walker em lateral direito deu-lhes velocidade e flexibilidade. À primeira vista não é uma defesa "vencedora do Mundial de 2018", mas parece funcionar.

Forward thinking


Passamos ao ataque, com um binário mais preocupante. Os golos marcados pelos Três Leões nos últimos seis jogos? Um, um, zero, zero, um, um. As capicuas são giras, mas não dão pontos extra na fase de grupos. Se lhe juntarmos uma certa falta de impulso no meio centro - Alex Oxlade-Chamberlain e Adam Lallana teriam sido escolhidos se não estivessem lesionados - e temos algumas razões para nos preocuparmos.

A menos que prefiras ver a situação ao contrário: a um dado momento o ataque vai ter de funcionar. Harry Kane, Raheem Sterling, Dele Alli, Jesse Lingard, Jamie Vardy, Marcus Rashford, Danny Welbeck (OK, talvez não Danny Welbeck...) são jogadores com capacidade para causar problemas à maioria dos adversários. O maior problema de Southgate vai ser escolher quem é que fica no XI.

Kane está garantido, e a ferocidade de Vardy é um bom trunfo. Sterling também deve ser titular, depois de ter tido uma temporada fantástica. Sobra uma posição, ou duas nos jogos mais fáceis, Henderson ou Dier podem ficar de fora. Alli e Lingard devem fazer parte da acção.

All hail the draw


Pode ser que os jogadores da selecção inglesa sejam os mesmos que tiraram as bolas dos potes de sorteio no Kremlin no ano passado. Os jogadores de Southgate devem - e este devem é um bocado pesado - ter facilidade em passar num grupo que tem o Panamá e a Tunísia, liderada por Whabi Khazri.

A Bélgica é mais complicada, mas os adversários na segunda ronda vindos do Grupo H não devem meter muito medo e daí para a frente, quem sabe? Talvez a longa espera pela segunda vitória num Mun... não consigo acabar a frase com uma cara séria. É melhor esperar um bocado de diversão antes da inevitável desilusão.

Aposta Recomendada
Inglaterra consegue 7 pontos na fase de grupos @ 3.259/4