Apostas Mundial 2018: Como irá a chocante saída de Lopetegui afectar as chances espanholas?

As cotações de Espanha para Campeã Mundial levaram um pequeno tombo...
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No rescaldo da chocante saída de Julen Lopetegui como treinador de Espanha, e apenas dois dias antes da sua estreia no Campeonato do Mundo, Alex Keble analisa o acontecimento e opina sobre a capacidade de Fernando Hierro em os comandar até à glória na Rússia...

"A Espanha continua a ser uma das mais fortes nações presentes na Rússia mas o que quer que venha a acontecer será sempre consequência deste fabulosa história. Se eles vencerem na Rússia, será a demissão de Lopetegui que lhes possibilitou vencer. Se eles falharem, será para sempre lembrado como o momento em que a Espanha se derrotou a ela própria."

Há 24 horas atrás a Espanha dificilmente poderia estar mais serena. O seu jovem seleccionador, astuto tacticamente, tinha criado uma equipa formidável que, numa sequência de dois anos imbatível, parecia pronta a embarcar na sua caminhada para o Mundial com uma crença inabalável. Mas depois notícias saíram na tarde de ontem anunciando que Julen Lopetegui tinha aceitado o lugar de treinador do Real Madrid.

Menos de um dia depois a Real Federação Espanhola decidiu retaliar, demitindo o seu treinador em vésperas do maior torneio desportivo. Antes da bola ter rolado a Espanha ofereceu-nos uma história extraordinária: uma implosão interna que originou ondas de choque um pouco por toda a parte. Se agora ainda não entraste na febre do Mundial, então nunca entrarás.

A Espanha não tem muito para mudar em tão pouco tempo, e precisa de reagrupar o plantel e restaurar o optimismo e confiança que ia reinando pelo país há 18 horas atrás. Mas haverá repercussões. Os jogadores do Real Madrid na comitiva espanhola estarão furiosos com a decisão da federação. O contingente do Barcelona estará furioso com Lopetegui. Os media espanhóis estarão furiosos com toda a gente.

Assim, não surpreende que as cotações da Espanha para vencer o Mundial tenham deslizado de [7.40] para [8.20] no Intercâmbio na ressaca desse anúncio, assim como a sua subida até aos [2.12] para bater Portugal na Sexta-Feira, face aos anteriores [1.98] .

Lopetegui só tinha uma saída


É difícil culpar o presidente da Federação, Luis Rubiales, pela sua corajosa decisão. Lopetegui e o Real Madrid desrespeitaram claramente a sua equipa nacional; ao despedirem o seu treinador a Espanha restaurou a autoridade sobre o Real e recusou-se a tomar a mais fácil das opções.

"É um momento em que tens de actuar, Julen fez um belo trabalho com a equipa, mas não podemos aceitar o seu comportamento neste caso," afirmou Rubiales, dizendo ainda aos jornalistas que a Espanha só soube da saída do técnico para o Real cinco minutos antes do anúncio oficial. Rubiales merece crédito por isto, mesmo que a sua retaliação kamikaze destrua a sua participação na Rússia. É um suicídio honroso, se se ficar por aí.

Mas o falhanço não está garantido. Muitas vezes a adversidade une as equipas, particularmente se o plantel estiver unido na forma de reacção ao sucedido. Só o tempo dirá se houve divisão no seio da equipa ou se a imprudência de Lopetegui e consequente acção da Federação irá tornar a equipa ainda mais sólida, mantendo fiel aos seus princípios de persistência e sacrifício próprio pelo país. A forma como os seus jogadores do Real presentes na Rússia irão reagir será crucial. Eles irão quase certamente acatar as ordens vindas do seu capitão de clube e da selecção, Sergio Ramos.

Reputação de Herrero pode ajuda-lo


A Real Federação Espanhola não perdeu tempo em apontar como sucessor o director desportivo de Espanha, Fernando Hierro - ex jogador do Real Madrid, algo que não surpreendeu tendo em conta que Rubiales afirmou a necessidade de "mexer o mínimo possível". Depois de ter trabalhado de perto com Lopetegui, Hierro pode ajudar fazendo uma subtil transição táctica e psicológica. Para além disso, trata-se de um jogador icónico (jogou 89 vezes com a camisola espanhola ao longo de 13 anos) que providencia um ar de autoridade que pode aguentar o barco, trazendo alguma calma de volta ao centro de treinos de um país que subitamente se viu mergulhado numa crise.

O apelo para uma suave transição é fácil de entender. Para os iniciantes a grande maioria da preparação para o Campeonato do Mundo inicia-se antes do primeiro jogo; a Espanha já absorveu as estratégias tácticas, já leu os dossiers dos seus próximos rivais, já visualizou a sua rota até à Final. Por isso, faz sentido promover alguém sem um típico ego de treinador que estará satisfeito em assumir a função e continuar o trabalho de Lopetegui. De facto, uma leitura particularmente bondosa de todo este drama seria verificar que os jogadores de Espanha não se deixassem afectar, de todo. Eles sabem da missão que têm em mãos e já se entrosaram - mas é preciso perceber se será o suficiente para durar sete jogos.

... mas a missão é colossal


Improvável. Mesmo que o grupo não tenha ainda sido dividido na sequência da saída de Lopetegui, uma campanha de um mês num Mundial é um ambiente de alta pressão. Boa gestão humana - a capacidade para fomentar uma atmosfera positiva em vez da pressão mediática - será um atributo crucial para qualquer treinador de selecção. E não há forma de entender se Hierro, que tem limitada experiência como treinador, cumpre esses requisitos de gerir 23 homens de egos exacerbados, no entanto o facto de já ter alinhado em quatro Campeonatos do Mundo pode ajuda-lo a entender as características únicas em termos psicológicos deste tipo de desafio.

Independentemente de Hierro ter ou não o necessário como seleccionador, ele está a herdar uma verdadeira confusão. Tensão entre facções de Real Madrid e Barcelona dentro da selecção têm sido sempre mais ou menos bem geridas; este pode ser o momento explosivo que vê uma mútua animosidade subir à superfície. Controlar este tipo de fiasco irá requerer alguém bem mais experiente que Hierro: ele só teve uma época para esquecer como treinador do Real Oviedo há dois anos atrás como currículo de treinador.

A Espanha continua a ser uma das mais fortes nações presentes na Rússia mas o que quer que venha a acontecer será sempre consequência deste fabulosa história. Se eles vencerem na Rússia, será a demissão de Lopetegui que lhes possibilitou vencer. Se eles falharem, será para sempre lembrado como o momento em que a Espanha se derrotou a ela própria.

Apenas uma coisa é certa: este é o tipo de histórias que realmente perduram em Mundiais, que irá aparecer em todos os documentários nostálgicos e em todos aqueles 'highlights' dos maiores momentos nas décadas seguintes. Não poderíamos pedir um começo de mundial mais excitante. O que vem a seguir qualquer um pode tentar adivinhar, mas não será fácil.


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