Apostas Mundial 2018: Provavelmente a melhor Dinamarca desde 1986

Christian Eriksen tem brilhado pela Dinamarca
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A 'Danish Dynamite' continua a ser considerada a melhor equipa que o país teve, mas o actual conjunto de jogadores está a dar-se muito bem e pode surpreender no Grupo C comandado pela França, escreve Andy Brassell...

"Atendendo ao facto da Dinamarca só defrontar a França no seu terceiro jogo, numa altura em que podem já ter assegurado a qualificação ao baterem Peru e Austrália, não está propriamente fora de hipótese a ideia de poderem terminar no topo do grupo."

Mais do que qualquer outro torneio de Futebol, os Campeonatos do Mundo têm haver com a criação de memórias perpétuas. Portanto, qualquer um de nós tem os seus momentos de nostalgia, talvez até representando mesmo uma viagem pelas nossas vidas.

Quando alguns daqueles marcos deixam de lá estar, pode ser muito decepcionante. Na Rússia 2018, alguns vão ter dificuldades, pelo menos no início, para cair em si e perceber que não teremos Itália ou Holanda em competição. Poucos os poderão culpar-se por se sentirem assim.

Portanto, a Dinamarca bem que pode agradecer por estar neste panteão. O período áureo da equipa é bem conhecido, a era da "Danish Dynamite", que começou no EURO 84 - quando a frase foi pela primeira vez inserida - e depois chegando ao seu pico no Mundial de 1986, com uma equipa entusiasmante liderada por Michael Laudrup e Preben Elkjaer.

Crescimento claro sob o comando de Hareide


Curiosamente, a equipa vintage de 1986 não conseguiu o melhor resultado em Mundiais da Dinamarca. Após ser arrasadora na fase de grupos, vencendo as três partidas contra a West Germany, Uruguai e Escócia, e marcando nove vezes, eles foram afastados na segunda ronda, perdendo 5-1 para a Espanha, muitos fãs da modalidade consideraram os pupilos de Miguel Muñoz vilões por terem desfeito o sonho dinamarquês. Foi uma equipa bem menos cogitada, em 1998, que foi afastada pelo Brasil pela margem mínima após partida de cinco golos num pulsante embate dos Quartos de Final em Nantes.

Ainda ninguém está a comparar a actual Dinamarca a qualquer dessas equipas - eles estão muito a valores elevados como outsiders, a [110.00] para vencer na Rússia - mas existe pelo menos o sentimento renovado de confiança. Com o longo reinado de 15 anos de Morten Olsen a chegar ao fim, tem sido feito grande progresso sob o leme de Age Hareide, o norueguês que brilhou no seu último trabalho num clube de futebol, vencendo o título sueco pelo Malmo e guiando o gigante sueco de volta à Liga dos Campeões.

Forte fase final de Qualificação


A Dinamarca recolheu pelo menos alguma atenção pela forma como acabou por afastar a República da Irlanda do Campeonato do Mundo no playoff - inspirada pelo seu sensacional jogador, Christan Eriksen do Tottenham, que apontou um hat-trick em Dublin - mas a sua actual forma merece mais do que isso como resumo. A sua campanha de qualificação foi feita em duas fases, algo que não é atípico em equipas em desenvolvimento.

Uma qualificação através dos playoffs implica sempre a ideia de que o sucesso foi alcançado à justa, mas se a Dinamarca tivesse iniciado a qualificação ao mesmo nível com que terminou (a demolição de Setembro por 4-0 da Polónia, vencedora do grupo, foi um indicativo da forma como estavam a jogar), certamente que poderia até ter vencido o grupo.

O sensacional Eriksen tem auxílio de qualidade


Eriksen é o batimento cardíaco da equipa, sem qualquer dúvida, e um bom torneio para ele pode valer-lhe reconhecimento internacional como um dos grandes jogadores da actualidade.

Mas ele está rodeado de talento em crescimento, que está a tentar instalar-se no principais ligas europeias.
O capitão Simon Kjaer não está tão só como estrela da defesa, com Andreas Christensen (apesar do insucesso da época do Chelsea) e Jannik Vestergaard altamente capazes.

Para além de Eriksen no meio-campo, Thomas Delaney do Werder Bremen espera dar seguimento à sua boa campanha na Bundesliga para abrir caminho até à Premier League. Na frente, a qualidade de Yussuf Poulsen do Leipzig e Martin Braithwaite - que recuperou a sua forma por empréstimo ao Bordéus - significa que Nicklas Bendtner pode ter apenas papel secundário.

Será pedir demais vencerem o seu grupo?


Atendendo ao facto da Dinamarca só defrontar a França no seu terceiro jogo, numa altura em que podem já ter assegurado a qualificação ao baterem Peru e Austrália, não está propriamente fora de hipótese a ideia de poderem terminar no topo do grupo, cotados a longos [6.80], com Didier Deschamps raramente predisposto a descansar jogadores antes das fases a eliminar.

O facto da Dinamarca estar neste tipo de conjecturas já demonstra o quão longe chegaram. Replicarem o estilo dos anos 80 não será fácil, mas eles têm o grupo mais confiante dos últimos largos anos.

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