Euro 2012: Martin Laursen e a "sua" Dinamarca

Agger é um dos jogadores com maior experiência internacional da equipa, como tal deverá ter um papel muito importante.

O grande trunfo da Dinamarca continua a ser o seu espírito de equipa e capacidade de trabalhar em prol do mesmo objectivo. Será um grupo muito complicado para a Dinamarca e a qualificação não será fácil, no entanto Martin Laursen acredita que a sua equipa não será um peso morto no Grupo B.

É um grupo muito difícil, mas temos alguma hipótese porque os melhores jogadores da Holanda, Alemanha e Portugal estão cansados no seguimento de uma longa e dura temporada.

Apostar contra a 1.674/6 para a Dinamarca não terminar em último lugar no Grupo.

A expectativa

Conseguimos encontrar muito optimismo nesta altura. Todos sabem que vai ser uma tarefa difícil estar num grupo que inclua a Alemanha, a Holanda e Portugal, mas existe optimismo tanto entre os jogadores como nos adeptos. Há dois anos, no Mundial tivemos os melhores jogadores da selecção lesionados, o que não acontece desta vez. A equipa está em boas condições.

Confiança no treinador

Com Morten Olsen tivemos o mesmo treinador por 12 anos, e ele tem feito um bom trabalho com o plantel. Eu certamente que gostei de trabalhar com ele durante a minha altura na selecção nacional. Penso que existiu uma altura em que a sua relação com os media na Dinamarca não era das melhores, mas chegámos a ser qualificados para o Mundial há dois anos atrás tendo depois jogado muito bem nas qualificações para os torneios, portanto o dissabor inicial acabou por mudar. Ele é bastante respeitado. Penso que toda a gente consegue aperceber-se que ele conseguiu coisas fantásticas com os jogadores com que trabalhava - nós não temos um grande conjunto de jogadores como a Inglaterra, a Espanha ou a Itália. Talvez na Inglaterra quisessem mais um técnico como Sven Goran Eriksson foi aos comandos durante largos anos, mas nós vangloriámos as suas conquistas e apoiámo-lo na saída.

Toda a gente fala...

De Nicklas Bendtner. É o melhor avançado que temos e o único jogador que temos de top internacional. Os outros são bons jogadores, mas não da mesma categoria. Todos têm seguido o que lhe aconteceu no Sunderland e perguntam-se sobre o seu futuro no Arsenal. É muito importante que esteja apto e na melhor forma.

Os outros jogadores chave

Daniel Agger, do Liverpool, eu diria, é muito importante. Se Christian Poulsen não está a jogar então Agger será o nosso capitão e o melhor defesa que temos disponível. Também seria importante que Thomas Sorensen jogasse bem na baliza mas uma lesão afastou-o, o que abre uma disputa para esse lugar. Há grandes hipóteses para Christian Eriksen, um jovem jogador do Ajax. Tenho noção que há clubes da Premier League a falar dele e uma boa performance no torneio iria com certeza atrair as atenções.

As forças e fraquezas

Para a Dinamarca o fundamental é a união e o espírito de equipa. Morten Olsen é um excelente treinador no sentido de ser muito organizado e saber tudo sobre as outras equipas. Ele dá aos jogadores muita informação sobre os adversários e sabe como lidar com eles. Todos os jogadores da equipa dinamarquesa vão saber exactamente o que fazer, uma vez que ele é bastante cuidadoso com as tácticas e investe muito tempo nos treinos. Também chega a organizar inúmeras reuniões para falar sobre a equipa e sobre os adversários. A fraqueza que encontro é que se contar com muitos lesionados, não teremos outros jogadores no banco que consigam fazer uma performance a um nível semelhante. Isso não pode acontecer.

Apostas para o torneio

Um bom resultado seria ganhar um jogo e empatar nos outros dois, que deverá ser o suficiente para sermos qualificados, mas para ser honesto 6.25/1 para qualificação não é uma boa aposta em termos de prémio. Deveria ter uma odd maior. Mas ao mesmo tempo penso que podíamos apostar contra a 1.674/6 para a Dinamarca não terminar em último lugar no Grupo. É um grupo muito difícil, mas temos alguma hipótese porque os melhores jogadores da Holanda, Alemanha e Portugal estão cansados no seguimento de uma longa e dura temporada. Essa poderá ser a nossa esperança. Se não estiverem completamente focados contra a Dinamarca somos bem capazes de ter uma surpresa


Martin Laursen, ex-defesa do Aston Villa, jogou 53 vezes pela Dinamarca, incluindo quatro jogos do Euro 2004. Desde que abandonou depois de uma lesão no joelho trabalhou para os meios de comunicação dinamarqueses e agora desempenha funções de treinador no staff do Sollerdo-Vedbaek.