Guia de Equipa para o Mundial 2014: Brasil

Neymar é a estrela da companhia, mas a presença de Fred poderá também ser crucial
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O perito em futebol sul-americano, Jonathan Wilson, analisa as hipóteses do Brasil no Mundial caseiro...

"Neymar é claramente a estrela, e teve uma excelente Taça das Confederações mas o aspecto mais importante desta equipa do Brasil é o equilíbrio que conseguiu."

Caminhada até ao Brasil

Desde que Luiz Felipe Scolari voltou a ser o treinador do Brasil, em Novembro de 2012, que este melhorou dramaticamente. Em 20 jogos sob o seu comando, o Brasil venceu 16 e empatou dois, venceu a Taça das Confederações no Verão passado com 14 golos marcados, e sofreu apenas três golos em cinco jogos. No mais recente jogo amigável arrasou a África do Sul por 5-0.  


O Treinador

Luis Felipe Scolari quer ser o segundo treinador, depois do italiano Vittorio Pozzo, a vencer o Mundial por duas vezes. Estava à frente da selecção brasileira quando venceu no Japão e na Coreia do Sul em 2002, depois levou Portugal à meia-final em 2006. A sua maior força é a capacidade de formar uma equipa unida, preferindo por vezes jogadores em que confia, em detrimento de alternativas mais dotadas. Parte da construção de uma equipa passa por criar uma mentalidade de cerco, razão pela qual Scolari parece por vezes grosseiro: ele não se importa de aliviar a pressão sobre a sua equipa, atraindo-a sobre si. 


Jogadores Chave

Neymar é claramente a estrela, e teve uma excelente Taça das Confederações. O aspecto mais importante desta equipa do Brasil é o equilibrio que conseguiu. Fred, avançado centro que é bom no ar, impede que os defesas adversários cheguem demasiado atrás, para que haja sempre espaço por trás das linhas de defesa adversárias para que Neymar e Hulk possam marcar, entrando pelo outro flanco.
Oscar, como criador central, pode descair para trás e jogar com eficácia como terceiro médio, o que impede que a zona dos três quartos fique demasiado congestionada, ao mesmo tempo que as corridas dos dois defesas, Dani Alves na direita e Marcelo na esquerda, abrem o jogo e ajudam o Neymar e Hulk. A grande questão é se os dois centrais, Paulinho e Fernandinho ou Luiz Gustavo, conseguem cobrir convenientemente o jogo por trás dos defesas quando eles pressionam. É fácil imaginar os adversários a tentarem atacar estes espaços.
 

Tema de Discussão

Por mais impressionante que o Brasil tenha sido na Taça das Confederações, nunca esteve verdadeiramente sob pressão. Em três dos cinco jogos, incluindo a final contra a Espanha, marcou nos primeiros 10 minutos, aparentemente numa euforia patriótica que começava com o hino nacional. Mesmo nos outros dois jogos, estava sempre à frente ao intervalo, e nunca esteve a perder durante o torneio inteiro.
Tendo em conta que é provável que hajam manifestações anti-corrupção fora das zonas exclusivas em volta dos campos, e a forma como este torneio é assombrado pelos fantasmas de 1950, quando o Brasil passeou pelo Mundial para perder no fim contra o Uruguai, é possível que a multidão se revolte caso o Brasil comece a perder, trazendo a raiva dos protestos para o campo. A Taça das Confederações não deu indícios nenhuns em relação a isto.


Melhor Aposta

Com a pressão de estar a jogar em casa e como depois de um grupo relativamente simples, o Brasil pode enfrentar a Holanda ou o Chile, a Inglaterra ou a Itália, a Alemanha ou a França na corrida para a final e depois a Argentina ou a Espanha, parece-me que está demasiado curto a [4.1]. Afinal saiu do último Mundial nos quartos de final, por isso parece-me razoável apostar contra o Brasil a [4.2].


Aposta de Valor

Neymar está a [13.5] para vencer a Bota de Ouro, o que faz sentido, visto que é provável que o Brasil jogue sete jogos no torneio e tem marcado muito nos últimos dois anos. No entanto, uma opção mais intrigante pode ser Fred, que marcou mais que Neymar na Taça das Confederações, é uma grande ameaça nos lances de bola parada e está disponível a [24.0].
Os cinco golos em oito jogos no Brasileirão desta temporada sugerem que está em boa forma - apesar de três deles terem sido na Taça. Ou, ainda mais alto, temos Hulk a [60.0], que parece muito alto para um jogador que marcou 17 golos em 24 jogos da liga pelo Zenit na temporada passada e pode capitalizar se os adversários estiverem distraídos com Neymar.

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